quarta-feira, 8 de outubro de 2008

II SURDEZ EM FOCO

Seminário II SURDEZ EM FOCO

O seminário foi realizado no dia 3/10/2008, das 14 às 17hs, na FE 5. Teve como objetivo capacitar alunos da graduação e da pós-graduação de diferentes Faculdades e Institutos da UnB, bem como professores da rede pública de ensino do Distrito Federal que trabalhem com alunos surdos incluídos. Oportunizar o debate entre profissionais pesquisadores das áreas de Educação, Letras e Psicologia sobre os temas em pauta: interpretação, identidade e criação de novos sinais para dar conta de ampliar o léxico dos surdos que avançam em seus níveis de escolarização. A coordenadora do evento, Celeste Azulay Kelman, é doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento.

O seminário foi constituído por três palestras. A primeira, que particularmente me interessou por ser da área de lingüística, tratou sobre a criação de novas palavras (neologismo) na língua de sinais, assim como os ouvintes também criam ou importam de outra língua. Inicialmente, a palestrante nos fez pensar sobre uma questão interessante: a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) deveria se chamar LSB (Língua de Sinais Brasileira). A Língua de Sinais não é somente brasileira, mas sim universal, com algumas adaptações dependendo do país ou da região, e por isso seria preciso apenas distinguir a “nacionalidade” da língua, como Língua de Sinais Brasileira, Língua de Sinais Americana, etc.

Voltando à questão dos neologismos, a palestrante explicou como se dá o desenvolvimento de novos sinais para expressar palavras ou conceitos que ainda não eram conhecidos pelos surdos. É uma questão muito interessante, que depende do contexto, da interpretação e da trajetória de cada surdo ou de um grupo deles.

A segunda palestra tratou sobre a questão da profissão do intérprete da Língua de Sinais. A experiência relatada dá conta da complexidade em que se constitui a interação surdo-ouvinte, especialmente quando a proximidade acontece sem que ambos compartilhem de uma ferramenta de linguagem comum. Através das dificuldades que se apresentam no dia-a-dia de um estudante surdo se percebe a importância do intérprete da Língua de Sinais. Assim, é necessário que o surdo tenha acesso a um intérprete em LIBRAS - Português, assim como o cego tem acesso a um ledor, para que tenham oportunidades que pareciam impossíveis, como ingressar em uma faculdade. Há surdos na Universidade, mas ainda são escassos os relatos de experiências nesse âmbito.

A última palestra foi brilhantemente apresentada por uma estudante de graduação surda. Essa palestra foi muito especial, também porque eu nunca havia assistido uma apresentação ministrada em língua de sinais. Claro, havia o intérprete, que traduzia para a oralidade o que estava sendo transmitido. Mas naquela garota pudemos ver que todos são capazes de buscar o conhecimento e a formação, bastando apenas auxílio de tecnologias e de pessoas capacitadas no que ela eventualmente precisar. Foi um exemplo motivador, para que nós, futuros educadores, possamos auxiliar pessoas tão especiais como ela.

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